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Lâmpada acesa fotografada com telemóvel por AC |
Quero que a língua do poema te penetre
como um pilar de betão.
É inútil resistires à água vertical
na persistência das traves do título.
Linguagem tão alucinatória
para que o peso das palavras tenha tempo
de dar a volta ao mundo
antes da chegada das outras criaturas.
A descrição da catástrofe desenha o contorno da suspeita
para além desta súbita compreensão:
um barco sobrepõe-se ao rosto da terra
evitando a densidade das sínteses alusivas às águas.
Cai um verso na transparência do teu corpo
e dissolve a visão que ali se instalou.
O milagre da cura faz vacilar a razão
quando o cão lambe com amor as suas feridas.
Adília César, in Gazeta de Poesia Inédita (10 de Abril de 2019)
https://gazetadepoesiainedita.blogs.sapo.pt/adilia-cesar-alucinacao-82978
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